Eventos em Off 2026 coloca CEOs diante do desafio de transformar encontros em experiências de negócio

Plenária do Eventos em Off 2026 reuniu CEOs para discutir estratégia, liderança e os novos desafios dos eventos corporativos. (Foto: Marcos Arruda/T&E)

Plenária com lideranças de diferentes setores mostrou que propósito, conhecimento do público e estratégia passaram a ser tão importantes quanto produção e conteúdo na construção de eventos

O segundo painel do Eventos em Off 2026, realizado neste sábado (22), no Club Med Lake Paradise, em Mogi das Cruzes (SP), levou ao palco uma questão central para o mercado: o que as empresas esperam de um evento quando o investimento precisa produzir mais do que uma boa experiência?

Com mediação da jornalista Christiane Pelajo, a plenária reuniu Dody Sirena, do Grupo Sirena e DC Set; Rosina Cammarota, da CEPA Mobility; e Monique Henriques, da Motiva Aeroportos. A conversa percorreu liderança, orçamento, tecnologia, comportamento e estratégia, mas convergiu para uma ideia: o evento precisa estar conectado ao negócio antes mesmo de começar a ser desenhado.

O propósito vem antes da produção

Para os executivos, palco, atrações e formato são consequências de uma decisão anterior: definir o que a empresa pretende alcançar.

Um evento pode ter como objetivo fortalecer a cultura, aproximar clientes, lançar um produto, engajar equipes ou criar relacionamento. A partir daí, entram orçamento, parceiros, formato e operação.

Dody Sirena defendeu que essa ordem não deve ser invertida. O investimento não deveria estabelecer sozinho o tamanho da ambição. É a estratégia que precisa orientar quanto e onde investir.

A lógica também coloca os profissionais especializados em uma posição mais estratégica. Conhecer produção e fornecedores continua sendo necessário, mas entender o problema que o evento precisa resolver passou a ser parte fundamental da entrega.

Quando o público deixa de ser espectador

A transformação do comportamento do participante foi outro eixo da discussão.

Acostumado a interagir, produzir conteúdo e compartilhar experiências, o público já não responde da mesma maneira a modelos baseados apenas na exposição diante de um palco. A expectativa é participar da narrativa.

Fotografar, experimentar, interagir e compartilhar passaram a fazer parte da própria experiência. Para Dody, a diferença está justamente na capacidade de colocar a pessoa dentro da história.

Nesse processo, o digital não concorre com o presencial. O participante pode viver uma experiência, registrá-la e prolongá-la nas redes, fazendo com que o evento continue circulando mesmo depois do encerramento.

O encontro que a tecnologia não substitui

Apesar da crescente presença tecnológica, os participantes destacaram um elemento que permanece no centro dos eventos: o encontro entre pessoas.

A capacidade de reunir indivíduos em um mesmo espaço cria conexões que uma experiência exclusivamente digital não reproduz da mesma maneira. Para Dody, o evento funciona como uma espécie de rede humana, na qual a mensagem da marca se encontra com relações entre participantes.

Essa perspectiva também muda o papel das empresas. Mais do que transmitir uma mensagem, elas precisam criar condições para que o público estabeleça vínculos com a marca e entre si.

Liderança é montar o time certo

A discussão sobre experiência levou naturalmente à liderança.

Para os executivos, o líder não precisa dominar todas as etapas de um evento. Precisa compreender o negócio, reconhecer as competências necessárias e reunir profissionais capazes de executar o que foi planejado.

Comunicação, distribuição de responsabilidades e inteligência coletiva entram nessa equação. A qualidade individual de cada integrante é relevante, mas o resultado depende da capacidade do grupo de trabalhar em torno de um mesmo objetivo.

Investimento precisa estar ligado ao resultado

A pressão sobre orçamentos também apareceu como uma realidade do mercado corporativo.

Rosina Cammarota destacou a importância de aproximar a ideia daquilo que efetivamente pode ser executado. Entre uma proposta ambiciosa e sua realização existem variáveis de estrutura, operação, orçamento e logística que precisam ser consideradas desde o início.

A discussão reforçou que eventos não podem ser tratados isoladamente como uma despesa. Quando estão vinculados à estratégia da empresa, podem contribuir para relacionamento, cultura, posicionamento e resultados comerciais.

Conhecer o público muda a experiência

A trajetória de Monique Henriques trouxe um exemplo concreto dessa lógica.

Antes de atuar na Motiva Aeroportos, ela trabalhou no segmento de produtos de higiene profissional e participou da organização de convenções de vendas. Ao internalizar parte do processo, a empresa passou a ter maior domínio sobre seu público e pôde construir experiências mais específicas para seus objetivos.

Um dos exemplos citados foi uma convenção que levou participantes, às 3h30 da manhã, para uma trilha até um ponto de observação do nascer do sol.

A proposta não nasceu de uma fórmula pronta. Foi construída a partir do conhecimento sobre quem participaria, seus interesses e a cultura da empresa — demonstrando que personalização não significa necessariamente aumentar custos, mas fazer escolhas mais precisas.

Um profissional de eventos cada vez mais estratégico

A conversa também apontou para uma mudança no perfil exigido pelo mercado.

O profissional de eventos precisa ir além da produção, da logística e da negociação com fornecedores. Deve compreender o negócio do cliente, sua cultura, seus objetivos e o contexto em que aquela experiência será realizada.

Essa visão amplia o papel da área: o evento deixa de ser apenas uma entrega operacional e passa a participar da construção de estratégias de relacionamento e comunicação.

No Eventos em Off 2026, a conversa dos CEOs mostrou que o avanço tecnológico não diminuiu a importância do encontro presencial. Ao contrário, elevou a exigência sobre aquilo que justifica estar presente.

Para o público, o desafio é encontrar uma razão real para sair de casa. Para as empresas, é fazer com que esse encontro tenha propósito, significado e resultado.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

O painel mostra uma mudança na relação entre eventos e empresas: a experiência precisa estar conectada a uma estratégia de negócio.

Isso aumenta a responsabilidade de agências, produtores e fornecedores, que passam a ser cobrados não apenas pela execução, mas pela capacidade de compreender objetivos e entregar experiências relevantes.

A tendência é de uma cadeia mais estratégica, na qual criatividade, conhecimento de público, gestão e execução precisam caminhar juntos.

Autor

  • Marcos Arruda

    Marcos Arruda atua no turismo desde 1997 e é jornalista formado em 2011. É editor e fundador do Turismo&Eventos, veículo multiplataforma voltado ao trade turístico nacional e internacional.
    Com base em São Paulo, acompanha de perto os movimentos do setor, com cobertura de destinos, companhias aéreas, hotelaria e eventos no Brasil e no exterior. Sua atuação é marcada por análise de mercado, leitura estratégica e produção de conteúdo voltado à tomada de decisão no turismo.

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